Tecnologia em Destaque
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A sua loja está aberta, mas será que os clientes conseguem encontrá-la?
O comércio físico continua a ser importante, mas muitas decisões de compra começam hoje no telemóvel
É cada vez mais comum ouvir comerciantes dizerem que faltam clientes, que o movimento diminuiu ou que as pessoas já não compram como antes.
Mas será que faltam mesmo clientes ou falta visibilidade para chegar até eles?
Durante a criação do portal Nossa Mafra e o levantamento de empresas do concelho, reparei que vários negócios não apareciam nas informações disponíveis através do Google. Algumas lojas existem, estão abertas e têm clientes habituais, mas praticamente não têm presença digital.
Outras têm Facebook ou Instagram, mas com fotografias soltas, sem explicações, preços, horários ou indicação clara do que vendem. A loja existe, mas para quem ainda não a conhece é difícil perceber o que pode encontrar ali.
O consumidor já mudou
Em 2025, cerca de metade da população portuguesa entre os 16 e os 74 anos comprou online nos três meses anteriores. No mesmo ano, 67,9% dos portugueses com mais de 15 anos já tinham realizado compras através da Internet, o equivalente a cerca de 5,8 milhões de pessoas.
Na União Europeia, 77% dos utilizadores da Internet compraram online em 2025. Em Portugal, 73,1% dos compradores online adquiriram vestuário, calçado ou acessórios em 2024.
No primeiro trimestre de 2026, os CTT processaram 39,6 milhões de artigos relacionados com comércio eletrónico, mais 14,3% do que no mesmo período do ano anterior.
Estes números não significam que o comércio físico deixou de ser relevante. Significam que deixou de ser o único canal.
Hoje, o cliente pode descobrir uma loja no Google, ver os produtos numa página, colocar uma questão pelo WhatsApp e terminar a compra presencialmente. A venda acontece na loja, mas começa muitas vezes antes de o cliente entrar pela porta.
Três clientes, três oportunidades
Pensemos num casal que vive e trabalha em Mafra. Quando precisa de alguma coisa, vai sempre à mesma loja, por hábito e confiança. Para essa loja é excelente. Para as outras, que não aparecem online, significa que dificilmente serão consideradas.
Agora imaginemos outro casal que vive em Mafra, mas trabalha em Lisboa. Tem pouco tempo e precisa de comprar um presente ao sábado. Não sabe quais as lojas abertas, o que têm disponível ou quanto custa. O caminho mais simples acaba por ser um centro comercial.
Por fim, pensemos num cliente que vive fora de Mafra e procura online um presente, um produto regional ou um artigo específico. Se as lojas locais não aparecem nas pesquisas, não entram sequer nas opções de escolha.
Ser encontrado, mostrar e vender
O primeiro passo é ser encontrado: Google, Google Maps, diretórios locais, redes sociais e plataformas como o Nossa Mafra.
O segundo é mostrar: fotografias organizadas, descrições, preços, tamanhos, cores, horários e formas de contacto.
O terceiro é vender: loja online, pagamentos, entregas, reservas, levantamento em loja ou atendimento por WhatsApp.
Nem todas as empresas precisam de começar por uma loja online completa. Muitas podem melhorar bastante apenas com uma ficha atualizada no Google, um catálogo simples e um canal de contacto rápido.
Criar não chega
Um dos erros mais comuns é pensar que basta criar um site ou uma página numa rede social.
A presença digital exige consistência. É preciso atualizar informações, responder a mensagens, publicar conteúdos úteis e divulgar os canais.
No início, esse trabalho pode parecer ingrato. Mas abrir uma presença digital é semelhante a abrir uma loja física. No primeiro dia, poucas pessoas conhecem o espaço. É preciso montar a montra, divulgar, conquistar clientes e construir confiança.
A diferença é que, no digital, a loja deixa de depender apenas de quem passa à porta.
A primeira porta é digital
O comércio local tem vantagens que os grandes marketplaces não conseguem substituir facilmente: proximidade, atendimento humano, conhecimento do produto e confiança.
Mas essas vantagens só contam quando o cliente consegue encontrar o negócio.
A loja física pode estar aberta. Para uma parte cada vez maior do mercado, porém, a primeira porta é digital.
André Corcos
Colunista de Tecnologia do Nossa Mafra
Fontes
INE, ANACOM, Eurostat e CTT.
